sábado, 11 de julho de 2009

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terça-feira, 19 de maio de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Uns governam o mundo, outros são o mundo.
- Fernando Pessoa -

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pra quê?

Quando a gente começa a se perguntar: para quê? então as coisas não vão bem. E eu estou me perguntando para quê. Mas bem sei que é apenas 'por enquanto'.

- Clarice Lispector -

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Estava permanentemente ocupada em querer e não querer ser o que eu era, não me decidia por qual de mim, toda é que não podia ser; ter nascido era cheio de erros a corrigir. Só tinha tempo de crescer. O que eu fazia para todos os lados, com uma falta de graça que mais parecia o resultado de um erro de cálculo. Na minha pressa eu crescia sem saber pra onde.

- Clarice Lispector -

segunda-feira, 30 de março de 2009

Mais Clarice...

Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."

- Clarice Lispector -

quarta-feira, 25 de março de 2009

Umas rendas...


De delicadezas me construo. Trabalho umas rendas
Uma casa de seda para uns olhos duros.
Pudesse livrar-me da maior espiral
Que me circunda e onde sem querer me reconstruo!
Livrar-me de todo olhar que, quando espreita, sofre
O grande desconforto de ver além dos outros.
Tenho tido esse olhar. E uma treva de dor
Perpetuamente.
Do êxodo dos pássaros, do mais triste dos cães,
De uns rios pequenos morrendo sobre um leito exausto.
Livrar-me de mim mesma. E que para mim construam
Aquelas delicadezas, umas rendas, uma casa de seda
Para meus olhos duros.

- Hilda Hilst -

sábado, 21 de março de 2009

Clarice...

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

- Clarice Lispector -

La Ronda - Marta Gomez

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cadernos Etíopes e a estética do olhar vazio

Minha querida amiga Dôra – um ser cheio de sensibilidade, artes e afins – compartilhou comigo há alguns dias uma preciosidade, que eu gostaria de dividir aqui no Mistureba. Ela me enviou o PDF de uma resenha crítica do livro Cadernos Etíopes, de JR Duran - famoso fotógrafo da Revista Playboy, conhecido por seus trabalhos com nus, retratos e moda, que agora parece ter se “aventurado” por outras savanas. O livro, publicado em setembro do ano passado pela Cosac & Naify, registra a passagem (meteórica) de Duran pela Etiópia e parece pretender mesclar fotografia, literatura e etnografia ao fazer alusão à escrita etnográfica e aos diários de campo.

Giorgia Quintas*, autora da resenha, ao deter-se sensivelmente sobre o livro, lança um verdadeiro facho de luz sobre as imagens capturadas por JR Duran. Clareando nossa compreensão sobre o quão denso e profundo é (ou poderia ser) o ato de fazer retratos de outrem - ainda mais quando “outrem” é de outra cultura - ela nos mostra que o que as lentes duranianas põem a nú não são os corpos etíopes, e sim o forte etnocentrismo e a ausência de esforço em praticar alteridade que permeiam o olhar do fotógrafo. A potencialização da sensualidade dos corpos - marca típica da trajetória profissional de Duran – ao ser dirigida às savanas africanas, numa imersão de apenas três semanas, tem como resultado uma estetização do olhar vazio, onde não há verdadeiro encontro, nem confronto de identidades entre fotógrafo e fotografado. Duran é o estrangeiro que não sai de si, que não se deixa impregnar pelo outro e que apenas repete o seu modo ver aqui e acolá. Não há uma verdadeira troca de olhares, quiçá de perspectivas. A beleza sensível da imagem fotográfica, diz Giorgia, "não se restringe à perfeição ou sensualidade de quem se apresenta no registro, mas sim a como se 'processa' o encontro desta captura: a maneira, a aproximação, a emoção canalizada neste tempo (que, este sim, é essencial ao ato fotográfico) e espaço."

A resenha de Giorgia é cortante, mas necessária. E pode ser lida na integra aqui

* Giorgia Quintas e Doutora em Antropologia pela Universidade de Salamanca (Espanha), mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco e pós-graduada em História da Arte pela Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP/SP. Atualmente, leciona no Bacharelado de Fotografia da Faculdades Integradas Barros Melo - Aeso (Olinda) e é pesquisadora do Núcleo de Imagem & Som em Ciências Humanas do Programa de Pós-graduação em Antropologia (UFPE)

sábado, 31 de janeiro de 2009

As tribos do Omo

O vale inferior do Rio Omo, situa-se a 800 Km de Adis Abeba e abriga varias tribos africanas, tais como os Karo, os Mursi, Os Hamer, os Bume, os Konso, os Olmorate... Ali, nos confins da Etiópia, Hans Sylvester* fotografou durante seis anos homens mulheres e crianças que são gênios de uma arte ancestral. Eles tem o gênio da pintura e seus corpos de dois metros de altura sao como uma imensa tela.

A região vulcânica fornece uma imensa paleta de pigmentos coloridos: ocre vermelho, caulim branco, verde revestido, amarelo luminoso e cinzento. A forca de sua arte esta em três palavras: os dedos, a velocidade e a liberdade.

Desenham com as mãos abertas, com a extremidade das unhas, as vezes com pedaços de madeira e cobrem-se de colmo - um caule esmagado. Mergulham os dedos na argila e em poucos minutos decoram o peito, os seios, a púbis, as pernas, o rosto. Gestos vivos, rápidos, espontâneos, semelhantes ao movimento essencial que procuram os grandes mestres da pintura ocidental, tais como Miro, Klee, Picasso, Pollock, Tapies...

O desejo de decorar-se, embelezar, seduzir é um jogo e um prazer permanente.

* O livro de Hans Sylvester, que reúne essa coleção espantosa de fotografias dessas tribos do Omo, chama-se "Natural Fashon: Tribal decoration from Africa".













Fotos: Hans Sylvester
Um verdadeiro assombro, nao?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Hilda...

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar da sua casa que é o rio
E deslisando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água, mais fraterno
se estenda sobre o meu
Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez
E mais atento.

- Hilda Hilst -

domingo, 25 de janeiro de 2009

Gigi Shibabaw - Washintu


Gigi é uma cantora etíope, radicada em NY. Adorei-a.
Essa canção é um lamento e uma reflexão sobre as pessoas que morrem na guerra. Na cultura etíope, só os homens podem lamentar a guerra. Por isso Gigi é vista como uma mulher transgressora.

http://www.myspace.com/gigishibabaw
http://worldmusic.nationalgeographic.com/worldmusic/view/page.basic/artist/content.artist/gigi_shibabaw_6910

Férias em Floripa III

Foto: Helô Souza

Férias em Floripa II


Foto: Helô Souza

Férias em Floripa I


Foto: Helô Souza